A pregação pentecostal chega ao Estado de São Paulo

 

Em 1923 o missionário Gunnar Vingren visitou a capital paulista pela primeira vez, retornando de uma viagem ao Estado de Santa Catarina. Nessa visita à capital, Vingren pregou na Congregação Cristã no Brasil e ali conheceu Emílio Conde que, na época, pertencia àquela denominação. Vingren fez uma segunda visita à capital paulista em agosto de 1926. Dessa vez ele foi acompanhado pelos missionários Samuel Nyström, Nels Julius Nelson, Simon Lundgren, e do secretário da Missão Livre Sueca (Svenska Fria Missionen), Dr. A. P. Franklin.

Missionário Daniel Gustav Högberg e sua esposa Sarah Berg fundadores das Assembleias de Deus no Estado de São paulo.

O missionário Samuel Hedlund escreveu, em 1934, na edição sueca do livro Despertamento apostólico no Brasil que, no ano de 1923, “alguns crentes em Pernambuco resolveram se mudar para a cidade de Santos, no Estado de São Paulo, por causa da crise econômica no Norte, para procurarem trabalho. Depois da sua chegada, começaram, cheios de agradecimento pela direção de Deus, a testificar da Salvação e muitos ficaram interessados. Pela direção do Espírito Santo, o irmão Daniel Berg e família vieram a Santos em 1924. Começaram com cultos públicos e Deus abençoou a sua obra, salvando, batizando com o Espírito Santo e curando os enfermos”.

 

O início da Assembleia de Deus na capital

Na capital São Paulo, a Assembleia de Deus teve início com a chegada do missionário Daniel Berg e esposa, em 15 de novembro de 1927, com o objetivo de anunciar as Boas Novas na metrópole paulista, como já havia feito em outras cidades e Estados.

Cidade de São Paulo em 1927 (Arquivo Câmara Municipal)

Ao chegar à grande cidade industrial, Daniel Berg não conhecia ninguém, nem trazia o endereço de qualquer pessoa. Estava tão-somente escudado e confiante na direção divina. Trazia pouco dinheiro, razão por que resolveu alugar uma casa em um dos lugares mais humildes da cidade, o bairro de Vila Carrão, naquela época quase totalmente despovoado. O primeiro culto teria ocorrido no mesmo dia da chegada do casal Berg, 15 de novembro de 1927, cujo acontecimento ficou marcado na história como sendo a data oficial da fundação da igreja. Para participarem desse culto, convidaram o casal de missionários suecos Simon e Linnéa Lundgren.

Os cultos prosseguiram. Eles deixavam a porta aberta e se limitavam a cantar e orar, acompanhados do bandolim do missionário Daniel Berg. Orando muito, prosseguiram os dois com as reuniões. Mas não as anunciavam publicamente. Entretanto, aos poucos, a vizinhança passou a tomar conhecimento dos cultos, dos quais o casal Lundgren, periodicamente, participava.

No dia 4 de março de 1928 foi efetuado o batismo dos três primeiros novos convertidos.

Com o aumento do número dessas pessoas, não foi mais possível reuni-los na pequena sala. Portanto, era necessário alugar-se um salão para os cultos. Com muito esforço, a igreja alugou um salão na Avenida Celso Garcia 1.209, onde funcionou a primeira sede.

Até localizar-se no seu mais famoso endereço, Rua Conselheiro Cotegipe 273, no bairro do Belém, a sede da Assembleia de Deus na capital paulista, passou do Nº 1.209 na Avenida Celso Garcia, para o Nº 946-A na mesma avenida, depois para a Rua Dr. Cândido do Vale 41. Em seguida vieram as sedes na Rua Vilela 59, no Tatuapé; Rua Chavantes 3-A, Brás; Rua Cruz Branca 35; Rua Antônio de Alcântara Machado 616, Quarta Parada, Belém, onde a igreja passou a ser chamada de Ministério do Belém.

A ordem cronológica de valorosos obreiros na presidência da Assembleia de Deus da cidade de São Paulo, cuja liderança eclesiástica se estendeu por toda a capital paulista, interior do Estado e Estados do Centro-Oeste do país, transcorreu assim:
1º – Daniel Berg (1927-1930);
2º – Samuel Nyström (1930-1932);
3º – Samuel Hedlund (1932-1935);
4º – Simon Lundgren (1935-1938);
5º – Sylvio Brito (1938);
6º – Francisco Gonzaga da Silva (1938-1939);
7º – Bruno Skolimovski (1939-1946);
8º – Cícero Canuto de Lima (1946-1980) até José Wellington Bezerra da Costa, que assumindo a direção da Igreja em 1980, tornou-se seu 9º pastor presidente.

Quando José Wellington assumiu, a igreja estava presente em todos os bairros de São Paulo, tendo aproximadamente 500 congregações com 70 mil membros distribuídos em áreas administrativas e eclesiásticas chamadas de setores e tendo um pastor setorial. Os principais setores na época eram São Miguel Paulista, Lapa, Osasco, Tucuruvi, Indianópolis, Barueri, Carapicuíba, Cidade Ademar e Casa Verde. A expansão da igreja no interior se fazia sentir em quase todos os 535 municípios do Estado, na época, cujos crentes se contavam aos milhares. Atualmente, os batismos ocorrem a cada dois meses com milhares de candidatos de igrejas da capital e da grande São Paulo.

A estrutura eclesiástica do Ministério do Belém está organizada em setores na Grande São Paulo e, em campos, no Interior do Estado. É um sistema congregacional por meio do qual é mantido um vínculo forte entre as congregações e a igreja-sede. Foi implantado no Belém bem antes da gestão de José Wellington. Ele deu continuidade e o ampliou. Cada setor tem uma congregação-sede e um pastor responsável. Por sua vez, trabalham nos setores outros pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos, mas todos ligados à sede.

O Ministério do Belém tem crescido grandemente, em 1983, a igreja contava com cerca de 80 mil membros e 564 congregações e, tinha um quadro de aproximadamente 1.300 obreiros. Os números da atualidade somam mais de 500 mil crentes na Grande São Paulo, totalizando-se membros e congregados, distribuídos em 2.500 congregações e organizadas em 86 setores. Ha congregações na capital cujos templos são maiores que a igreja-sede na Rua Conselheiro Cotegipe.

A estrutura do grande Ministério do Belém é composta pela sua diretoria, setores eclesiásticos e departamentos. Na diretoria, José Wellington tem ao seu lado um vice-presidente, três secretários e dois tesoureiros. O Ministério tem um quadro de funcionários com quase duzentas pessoas. A diretoria do Ministério é composta pelos pastores José Wellington (presidente), José Wellington Junior (vice-presidente), José Pereira da Silva (1º secretário), José Prado Veiga (2º secretário), Paulo Rodrigues de Morais (3º secretário), José Amaro da Silva (1º tesoureiro) e José Roberto Freitas Pedro (2º tesoureiro).

Fontes:

VINGREN, Ivar. Despertamento apostólico no Brasil. Rio de Janeiro, CPAD, 1987, 1ª edição, p. 91-95.

CONDE, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro, CPAD, 1960, 1ª edição, 263-270.

COHEN, Eliézer. História da Igreja Assembleia de Deus no Estado de São Paulo. São Paulo, s.e., 1991, p. 61.

José Wellington Bezerra da Costa (Book). Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 63-Isael de Araujo, Pastor, historiador e escritor, chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (Cemp), mantido pela CPAD.

 

 

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