A IGREJA E A CONSCIÊNCIA NEGRA – 20 DE NOVEMBRO

Hoje (20) o Brasil comemora o Dia da Consciência Negra, momento em que a nação para refletir sobre os direitos da população Negra.

Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as igrejas evangélicas congregam hoje cerca de 12.951.347 negros, sendo que 9.676.997 (72,6%) desse total são pentecostais, de igrejas como a nossa Assembleia de Deus.

Mais de 9 milhões de negros no Brasil são pentecostais. (Reprodução)

A legislação contra o racismo tem se solidificado no país, da Lei Afonso Arinos (1390/51), que proibia a discriminação racial, à “Lei Caó”, 7716/89, houve significativo avanços, alavancado pela Constituição Cidadã de 1988. Foram tipificados os crimes decorrentes de preconceito e discriminação de cor e estabelecida pena de prisão ao crime de racismo.

Não existe lugar na Igreja e não existe lugar na sociedade para racismo ou preconceito contra pessoas, baseado em sua raça ou nacionalidade.

A Bíblia é clara no combate à discriminação de qualquer espécie. Em Tiago 2.1, há o alerta: “Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com parcialidade”.  No texto de Atos dos Apóstolos, a Igreja de Antioquia – uma Comunidade de fé majoritariamente helenista –, nos dá uma bela lição sobre a igualdade racial e o empoderamento das etnias na comunidade nascente (At 13). O Pentecostes posto em prática, diferentemente da Igreja de Jerusalém, liderada por hebreus (At 15).

Podemos destacar dois escritos de Paulo, o Apóstolo das etnias. Ele escreveu uma linda Carta a Filemon, Áfia e Arquipo onde propõe a superação da lógica escravista. Ainda, na Carta aos Gálatas (Gl 3.24-29), Paulo chega a ir mais adiante ao romper com a estrutura hierárquica greco-romana, e de qualquer outra sociedade, que fundamenta o seu descaso pelo outro por motivações raciais (judeu ou grego), social (escravo ou livre) e de sexo (homem ou mulher).

Muitos líderes cristãos da era contemporânea se envolveram nessa causa. O inglês Willian Wilberforce, no século XIX, dedicou sua vida na luta abolicionista na Inglaterra. Foram 40 anos até que uma lei pondo fim ao tráfico de escravos fosse aprovada. Com sua experiência política e sua fé firme no Senhor, ele pôde ver seu país extinguir o comércio de escravos e influenciar todas as outras nações que ainda se beneficiavam desse mal. O batista Martin Luther King também. Combateu a segregação racial nos Estados Unidos e batalhou pelos direitos civis dos negros. Mesmo enfrentando ameaças, agressões, prisões, maus-tratos à sua família, ele não desistiu. Um atentado tirou a vida do pastor negro norte-americano, mas sua luta não foi em vão.

O líder sul-africano Nelson Mandela, que era metodista, levantou-se contra o sistema de segregação social. Ele passou 27 anos preso por resistir ao regime, mas sua luta resultou no fim do Apartheid, tornando-se o primeiro negro presidente da África do Sul (1994-1999).
Longe de ser uma questão resolvida ou enterrada no passado, o racismo ainda está presente na sociedade. E a Igreja tem um papel fundamental nesta questão: ela precisa se levantar como Atalaia da Verdade e ser Sal e Luz, ensinando que o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, nesse grande Campo Missionário.

 

 

A Redação.

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